Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick

        O Caminho
        da Rosa Dourada

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            Introdução

            O Clã dos Fazedores de Milagres

            Tenho uma teoria... Trata-se de uma idéia que trago guardada no fundo de minha mente há muito tempo. Penso que o “ser” despertou sua consciência, nesta dimensão física que vivemos, através da experimentação dos opostos. Soube o que é o prazer por ter conhecido a dor, descobriu o que é a paz por ter vivido o perigo da sobrevivência, sentiu o peso das trevas por ter um dia visto a luz...

            Assim, aos poucos, em sua evolução, ele foi agregando mais e mais itens na sua lista, quente e frio, duro e mole, longe e perto, dia e noite, doce e salgado, macho e fêmea, amor e ódio... O homem, como produto do ser original, acabou criando um mundo de realidades duais para si. Para ele tudo tem dois pólos opostos.

             Talvez por isto é que hoje muita gente acha que existem apenas dois tipos de pessoas: Umas poucas privilegiadas, maravilhosas, que vêm ao mundo dotadas de certas capacidades e dons que lhes permitem adentrar nas dimensões mais profundas da consciência, para daí acessarem poderes extraordinários. Com isso, elas podem mudar a realidade aparente das coisas. São as "fazedoras de milagres".

             Outras, a grande maioria, que vive à margem, olhando impotente, cultuando e seguindo as primeiras. Imploram por uma bênção ou mesmo por um gesto de misericórdia das primeiras. São as "carentes de milagres".

            A maioria das pessoas acha que uma linha divisória separa esses dois tipos humanos. Para elas, cruzar esta fronteira, é praticamente impossível e, segundo sua crença, somente um milagre pode transformar um “carente” num “fazedor”.

             Bom, é verdade quando elas dizem que alguns já nascem com certos dotes "anormais" inerentes. Trazem do berço certas qualidades, algumas percepções extraordinárias, determinados poderes que os tornam mais capazes. Porém, não é verdade que a barreira não possa ser transposta.
            Este livro conta a história de alguém que construiu uma ponte de ligação entre os dois mundos, tendo acesso ao restrito clube dos “fazedores de milagres”.

             Você verá que, com método e treinamento apropriado, pode-se criar um fazedor de milagres. Poderíamos aqui chamá-lo, sem medo de errar, de "um fazedor de milagres de laboratório". Este, inclusive, tem uma grande vantagem sobre a maioria dos naturais: ele pode controlar os seus poderes segundo a sua vontade. Os milagreiros naturais, na maioria das vezes, agem de forma impulsiva, fruto do momento e dos estímulos externos, tornam-se escravos de seus dons, pois raramente estão no comando das ações e a comprovação prática disto é que os hospitais psiquiátricos estão cada vez mais cheios deles.

             Se você é um carente de milagres, como nós, ou um fazedor de milagres natural, poderá se basear nas experiências descritas neste trabalho, pois elas indicam uma maneira segura de transpor a ponte e desenvolver seus poderes pessoais.

             Antes de iniciarmos de uma vez por todas a nossa história, gostaríamos de esclarecer duas coisas:

            A primeira delas é que milagres, na acepção da palavra, não existem. O universo é regido por leis imutáveis, ficando, portanto, descartada a possibilidade da ocorrência de qualquer acaso. O que acontece é que um fazedor de milagres usa, de maneira certa e adequada, certas leis da natureza que são totalmente desconhecidas das demais pessoas e, na esmagadora maioria das vezes, até dele mesmo.

            A segunda é que, apesar da história que se segue ser uma ficção, todas as técnicas, vivências, treinamentos, rituais e processos descritos neste livro funcionam e são quase todos por nós praticados e ministrados no Imagick e na Cidade das Estrelas, lá em São Thomé das Letras.

            ...E chega de conversa...
             
             

            Capítulo 1

            O Povo de Navascanal

             A Lua surgiu muito tímida por entre as nuvens carregadas, iluminando palidamente as carroças que cruzavam as trevas da noite, açoitadas por um vento úmido e gelado. A bem pouco os instrumentos se calaram, a música emudeceu e as fogueiras foram apagadas.

            Voltaram à velha sina da partida.

            Partiam sempre... nunca fixavam raízes... nunca sentiam saudades do que ficou para trás... as estradas eram o seu lugar...

            Lá na frente, montado em seu cavalo negro, segurando uma tocha acesa,  seguia Gorkus, o líder. Sempre atento, preocupado com o destino dos seus. Mesmo iluminado apenas pela luz do fogo, podia-se distinguir seu vulto nobre, seus cabelos escuros e cacheados, seu perfil imponente.

             Natasha, sentada na boléia, encostou-se ainda mais em sua irmã, procurando o calor de seu corpo.

             O balançar da carroça e o cansaço do dia a fez dormir. Em sonhos viajou na memória do clã. Formavam uma tribo de “fazedores de milagres”  e vagavam pelas vilas e aldeias, vivendo das maravilhas que produziam.

            Eram conhecidos, por onde passavam, como “O Povo de Navascanal”.  Não se tem idéia de onde surgiu este nome, aliás nunca se soube com certeza qual era a sua origem. Uns diziam que vieram das lendárias terras do Sul, onde foram construídas as gigantescas pirâmides de pedra, fugidos de um governante sanguinário. Outros, mais ousados, afirmavam que eram remanescentes de um continente muito antigo que havia afundado no mar, levando para os abismos oceânicos seu povo e seus segredos... O fato é que estavam ali desde que podiam se lembrar.

             Tinham todos um padrão físico comum. Eram morenos, de baixa estatura, olhos escuros e cabelos negros. Cantavam e dançavam muito, ao ritmo de instrumentos que lembram os violões e pandeiros de hoje.

             Vestiam-se com cores espalhafatosas e berrantes. Muito amarelo, muito vermelho vivo... verde limão... azul maravilha...

             Mas o que os marcava mesmo eram as fitas coloridas que traziam amarradas na testa.

            Apesar de simpáticos e afáveis, nunca se misturavam com os habitantes dos lugares por onde passavam. Era como se um código de honra os impedisse. Viviam a sua vida, respeitavam as suas próprias tradições e amavam apenas as suas mulheres.

             Nunca criavam raízes.

             Chegavam muito cedo, de madrugada ainda. Logo montavam suas tendas. Quando o Sol surgia, faziam suas preces de louvor e executavam danças sagradas. À tarde, demonstravam ao povo, pasmo, seus poderes miraculosos. Mas era ao anoitecer que faziam seus milagres e ganhavam seu dinheiro. Depois, o som quente de sua música varava toda a noite e pela manhã, quando procurados,  já haviam partido...

             Cruzavam as estradas em grandes carroças de toldos coloridos, puxados por cavalos fortes e negros.
             Sua chegada era sempre esperada com muita ansiedade pelo povo simples das aldeias. Pobre gente humilde do interior, tão desamparada da sorte, eterna vítima de um destino implacável e cruel, indefesa diante da ira dos deuses e da fúria insensata dos governantes. Ansiosamente aguardava por aqueles anjos morenos, de olhos profundos e coração alegre, que traziam em suas mãos abençoadas e cheias de milagres a esperança de uma vida um pouco melhor.

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